
A equipe da Vigilância em Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora de Ipojuca (VISATTI), ao lado do CEREST Regional Cabo de Santo Agostinho, CEREST Estadual de Pernambuco e representantes de outros municípios da região, participou ativamente do Curso de Aperfeiçoamento para Profissionais da Atenção Primária à Saúde em Territórios da Pesca Artesanal, promovido pela Fiocruz Pernambuco.
O curso, que teve início em 02 de abril 2025, foi uma resposta à necessidade de reconhecer os territórios da pesca artesanal como espaços complexos, onde o trabalho se entrelaça com os modos de vida, os determinantes sociais da saúde e a vulnerabilidade socioambiental. A atividade reuniu profissionais de saúde, do Ministério da Pesca e Aquicultura e pesquisadores Fiocruz para refletir sobre os riscos ocupacionais enfrentados por pescadores, marisqueiras e demais trabalhadores da cadeia pesqueira artesanal.
Durante os encontros, foram abordados temas como as condições de trabalho, a exposição a riscos físicos e químicos, a informalidade nas relações laborais, a ausência de políticas públicas específicas, além das dificuldades de acesso ao sistema de saúde por essa população. A participação da VISATTI e dos CERESTs na formação reforçou a importância de uma vigilância em saúde territorializada, sensível às especificidades de cada grupo ocupacional.
Estudos como o Atlas da Saúde da População Pesqueira Artesanal, desenvolvido pela Fiocruz, revelam que os trabalhadores da pesca artesanal estão entre os mais invisibilizados nas políticas públicas de saúde do trabalhador. Com base nisso, o curso ofereceu ferramentas para qualificar a escuta ativa nos territórios, aprimorar a identificação dos vínculos laborais durante os atendimentos nas Unidades de Saúde da Família e fortalecer a notificação de agravos relacionados ao trabalho.
A participação de Ipojuca nesta iniciativa representa mais um passo na construção de uma política pública que reconheça os saberes e os direitos das comunidades pesqueiras, valorizando seu papel na segurança alimentar, na preservação ambiental e na economia local.
Vale destacar que, em 2019, a costa brasileira foi impactada por um dos maiores crimes ambientais da história recente: o derramamento de petróleo cru que atingiu diversos estados do Nordeste. Em Ipojuca, o desastre afetou gravemente comunidades pesqueiras e marisqueiras, comprometendo não apenas o meio ambiente, mas também a saúde e o sustento de centenas de famílias que dependem diretamente da atividade pesqueira. A tragédia-crime evidenciou a vulnerabilidade desses trabalhadores e a urgência de políticas públicas voltadas à sua proteção e recuperação, reforçando ainda mais a relevância de ações como esse curso de capacitação promovido pela Fiocruz.





